é entrar aqui pela milesima vez sem atualizações
pq nao deletam essa porra logo?
seus lixos
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Já que falaram em Fidel
Depois de quase 50 anos, Fidel não é mais o homem forte de Cuba. Raul Castro assume o posto no lugar do irmão.
Mais surpreendente que a renúncia do comandante foi a repercussão que a mesma gerou. Jornais e agencias de notícias do mundo inteiro estamparam em primeira pagina a noticia. O fato foi noticiado desde as seções políticas até as esportivas, desde a CNN até pequenos blogs. Parece que Fidel incomodava mais o mundo do que parecia.
A pergunta que não quer calar é: e agora, o que será da ilha?
Segundo alguns analistas, nada mudará. Para outros, Cuba sofrerá uma abertura econômica igual a chinesa. E já para o renomado economista-sociologo-historiador Du Lara (consultado pelo UG), tudo é obscuro ainda, impossibilitando-o de fazer grandes previsões. Segundo Du, “talvez o velho mal do comunismo será finalmente expurgado da América".
Na contramão do intelectual, o blog espera longa vida a revolução e seus mártires.
TOCA, RAUL!
Mais surpreendente que a renúncia do comandante foi a repercussão que a mesma gerou. Jornais e agencias de notícias do mundo inteiro estamparam em primeira pagina a noticia. O fato foi noticiado desde as seções políticas até as esportivas, desde a CNN até pequenos blogs. Parece que Fidel incomodava mais o mundo do que parecia.
A pergunta que não quer calar é: e agora, o que será da ilha?
Segundo alguns analistas, nada mudará. Para outros, Cuba sofrerá uma abertura econômica igual a chinesa. E já para o renomado economista-sociologo-historiador Du Lara (consultado pelo UG), tudo é obscuro ainda, impossibilitando-o de fazer grandes previsões. Segundo Du, “talvez o velho mal do comunismo será finalmente expurgado da América".
Na contramão do intelectual, o blog espera longa vida a revolução e seus mártires.
TOCA, RAUL!
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Roda Viva na terra da laranja
Começou com 2, logo 3 e em seguida eram 10.
Todos querendo ter voz ativa, em seus destinos mandar
Logo botaram a coisa pra rodar
Mas eis que veio a Roda Viva...
No mesmo espírito botaram a viola pra tocar
Em uma Gloriosa reunião
Se animavam ao cantar,
Mais eis que veio a Roda Viva...
Também punham a bola pra rolar,
Como um Carrossel Mágico
Vivam a rodar,
Até que veio a Roda Viva...
A Roda Viva levou tudo pra lá
Adeus UG, adeus Gloriosa, adeus CM?
OU foi tudo ilusão passageira?
Todos querendo ter voz ativa, em seus destinos mandar
Logo botaram a coisa pra rodar
Mas eis que veio a Roda Viva...
No mesmo espírito botaram a viola pra tocar
Em uma Gloriosa reunião
Se animavam ao cantar,
Mais eis que veio a Roda Viva...
Também punham a bola pra rolar,
Como um Carrossel Mágico
Vivam a rodar,
Até que veio a Roda Viva...
A Roda Viva levou tudo pra lá
Adeus UG, adeus Gloriosa, adeus CM?
OU foi tudo ilusão passageira?
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
thiago -> londres
diogo -> zona norte de são paulo
moleza -> são paulo (zona usp de são paulo) / cordeiro*
dézao -> guarulhos ou são paulo (famosa 3ª chamada da fuvest)
nando -> campinas
brudão -> zona leste de são paulo
lucas -> araraquara
lelê -> araraquara
za -> UEL
lika -> sumiu
karlinho -> campo limpo paulista
* nao coloquei a cidade natal de todo mundo pois só o moleza provou que volta todo fim de semana.
diogo -> zona norte de são paulo
moleza -> são paulo (zona usp de são paulo) / cordeiro*
dézao -> guarulhos ou são paulo (famosa 3ª chamada da fuvest)
nando -> campinas
brudão -> zona leste de são paulo
lucas -> araraquara
lelê -> araraquara
za -> UEL
lika -> sumiu
karlinho -> campo limpo paulista
* nao coloquei a cidade natal de todo mundo pois só o moleza provou que volta todo fim de semana.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
BOÇAIS
O blog ta parado ha um bom tempo. Sentei-me aqui na frente do pc e pensei 'vo postar alguma coisa decente'. Depois de uma hora, nao encontrei nem produzi nada.
Pra nao deixar o blog parado novamente, resolvi postar qualquer porcaria - a materia a seguir.
É daquelas clássicas "seria comico se nao fosse trágico", afinal o texto saiu na super folhona.
Joao Pereira Coutinho entrevista Diogo Mainardi:
Diogo, o Terrível
É um dos meus desportos favoritos: chegar ao Brasil e falar, em tom blasé, de Diogo Mainardi. "Você leu a coluna dele na Veja? Muito boa", digo eu. O meu interlocutor cai num silêncio sepulcral. As veias do pescoço vão inchando como em certos filmes de vampirismo. O sangue concentra-se todo na cabeça. Os olhos, vermelhos e irados, saem das órbitas. A boca espuma. Os queixos tremem. Alguns levam a mão ao braço esquerdo e pedem uma ambulância. Deus do céu, eu já perdi a conta dos infartos, ou das ameaças de infarto, que a minha perversidade provocou em São Paulo e no Rio. Diogo Mainardi não é um colunista. É uma assombração.
Curioso. Irônico. Paradoxal. As mesmas pessoas que desmaiam na minha frente com o nome de Mainardi não desmaiam com uma elite política corrupta que usa dinheiro público tradução: dinheiro dos brasileiros para suas negociatas. O mal não está em quem rouba. Está naqueles que denunciam o roubo. Em condições normais, um país estaria grato aos jornalistas que vigiam e criticam o poder. Mas o Brasil não é um país normal. Aliás, Portugal também não é e pressinto aqui uma cultura histórica comum: quando um colunista abre a boca para criticar o governo, ele não critica o governo. Ele é um demente, um invejoso, um fracassado. E, em caso de discórdia, os leitores, para não falar dos colegas de ofício, não estão dispostos a contra-argumentar. Mas a censurar. O ideal não é discutir. É silenciar. Na impossibilidade de fuzilar. Curiosas mentalidades.
Às vezes pergunto se vale a pena continuar. Como Diogo Mainardi pergunta em seu último livro, "Lula é Minha Anta" (Record, 240 págs.), relato da sua odisséia anti-lulista. No livro, conta Mainardi que dedicou cerca de 5 mil horas a Lula (antes do mensalão começar). Cinco mil. Uma vida. Uma barbaridade. E quando o colunista acredita que finalmente se libertou do presidente, o mensalão estoura e Lula, como nos filmes de Coppola, volta a arrastá-lo para a velha dança. Mais 5 mil horas. Mais dez. Mais quinze.
Eu não me perdoaria. Sério. Nas milhares de horas que Mainardi perdeu com Lula, teria sido possível ler todo o Balzac, todo o Flaubert. Mas também teria sido possível viajar. Dormir. Namorar. Vadiar. Milhares horas com Lula e o PT não inspiram indignação. Inspiram compaixão.
Compaixão e irrisão. Várias vezes disse a Diogo Mainardi que ele deveria regressar à ficção. Basta ler os quatro livros publicados até ao momento ("Malthus", "Arquipélago", "Polígono das Secas", "Contra o Brasil") para entender o lugar singular do autor na prosa brasileira contemporânea. Ao resgatar a tradição satírica européia para a língua lusa, Mainardi faz o que Millôr Fernandes e Ivan Lessa fizeram antes dele: limpa o pó à gramática e confere uma vitalidade ao texto que é mortal para denunciar o ridículo da condição humana. Mas a resposta dele é sempre a mesma: "E quem paga as minhas contas?" Na conversa que tivemos, e que reproduzo em baixo, a pergunta é repetida. A resposta também.
Erro meu. "Lula é Minha Anta" não é apenas o resumo da batalha hilária de Diogo Mainardi para derrubar Lula. É também o retrato político de um país que ganha contornos grotescos, muito acima de qualquer ficção: na política, no jornalismo, no mundo empresarial; e nas relações promíscuas e até mafiosas que se instalam entre esses vários mundos. E, quando assim é, não existe grande espaço para prosa imaginativa. Seria inútil. Redundante. Em Inglaterra, onde a vida é previsível e civilizada (ou previsível porque civilizada), o "non sense" transferiu-se da vida para a literatura. De Jonathan Swift a Laurence Sterne, de Evelyn Waugh e Kingsley Amis, a sátira é abundante porque funciona como contraste. Mas quando a realidade já é surreal, é a realidade que se transforma em ficção. Quem precisa de livros quando basta olhar pela janela?
Mainardi olhou pela janela. Descreveu a paisagem. Mas falhou no essencial: em 2007, Lula era reeleito, ou seja, "absolvido pelas urnas", como dizem seus acólitos. Num dos melhores textos do livro, Mainardi compara-se ao Coiote do desenho animado, que persegue obsessivamente o Papa-Léguas para ser derrotado no final. Uma pena? Para o Brasil, com certeza. Para os leitores, longe disso. "Lula é Minha Anta" ficará como testemunho de uma época e exercício literário pleno de violência sarcástica. E, além disso, ninguém assiste ao desenho animado para ver o Papa-Léguas.
JPC - Olá, Diogo. Como é que você está?
Estou de bermuda e chinelo, como sempre. Na minha frente, o computador. À direita, pela janela, a praia de Ipanema. Choveu muito: mar marrom e areia cheia de protozoários. Na sala, meu caçula está com a TV ligada, assistindo a um episódio de "Little Einsteins". De vez em quando, influenciado pelo desenho, ele ergue os braços e grita: Johann Sebastian Bach! Felix Mendelssohn!
JPC - Nunca assisti a esse desenho. A minha infância foi deliciosamente corrompida pelo Walt Disney.
A minha foi miseravelmente corrompida pelo Pepe Legal.
JPC - Que memórias você tem da infância? Nada de clichês, e pode falar das empregadas.
Tive uma infância clichê. Inclusive no que se refere às empregadas.
JPC - Falando do Brasil: você já está a preparar o seu exílio na Europa?
Dependo do trabalho, e o trabalho, atualmente, está no Brasil. Já fui um imigrante brasileiro na Europa. Agora sou um retirante paraibano no Rio de Janeiro.
JPC - Isso significa que se surgir trabalho na Europa você abandona o país na hora?
Retirante só migra em período de seca.
JPC - Mas você sabe que a Europa é o último sítio do mundo, depois de Bagdá, para trabalhar.
É por isso que eu relaciono a Europa com o ócio. Ou com a literatura, que é a expressão envergonhada do ócio.
JPC - Antes de qualquer pergunta sobre o seu livro, gostei de ver nele as fotos dos seus filhos brincando com um pelúcia do Lula. Em São Paulo, um amigo mostrou-me o mesmo boneco e disse-me que tinha sido criado por um artista plástico. Ainda tentei comprar um, mas não consegui. Você sabe onde eu posso encontrar esse boneco?
Vou ver se arrumo um boneco extra.
JPC - Obrigado. Você não acha que o boneco tem uma graciosidade que falta ao presidente?
Pouco tempo atrás, acordei no meio da noite e flagrei o boneco roubando minha carteira e tentando matar o peixe no aquário.
JPC - E o que você fez? Não me diga que pediu impeachment...
Tranquei o boneco no armário da cozinha.
JPC - As crônicas de "Lula é Minha Anta" são, em resumo, a história de uma batalha: Mainardi contra Lula e Lula vitorioso, no final, com a reeleição. Você não acha que teria sido preferível ler Flaubert ou Tolstói nesse tempo todo?
No livro, sou personagem, e não autor ou leitor. Como Bouvard e Pécuchet, perdi a lavoura. Como Anna Karenina, fui esmagado por um trem.
JPC - A partir do momento em que o "mensalão" foi denunciado por Roberto Jefferson, você apostou tudo em como Lula não seria reeleito. Você não acha que foi demasiado otimista com o seu país?
Tem razão: por um breve período, fui pateticamente otimista com o Brasil. O mensalão, por suas particularidades, ofereceu uma oportunidade histórica para o país, exatamente como "mãos limpas", na Itália. Como de costume, a gente bobeou.
JPC - Você não acha que a corrupção, para os brasileiros, não é tão grave como seria para os europeus?
Corrupção é fruto de falta de democracia. Quanto mais avançada é uma democracia, menor o risco de corrupção. Uma imprensa independente ajuda a vigiar a classe política. Um judiciário independente também. Até a arte tem um papel no combate à corrupção. Ela oferece à sociedade ferramentas como iconoclastia, humor, visão crítica, senso estético, senso de proporção, agitação intelectual, inquietude existencial tudo isso aumenta nossa desconfiança e nossa insatisfação em relação às pessoas em geral e aos políticos em particular.
JPC - Então o problema central talvez não seja Lula, mas o Brasil.
Exatamente. Lula --o meu Lula-- é metafórico. Talvez até metonímico. Ele representa o que o país tem de pior.
JPC - Eu estive no Brasil em dois momentos marcantes dos últimos anos: quando o mensalão estava no auge e nas últimas eleições. E fiquei pasmo com pessoas educadas, fluentes e letradas que diziam que votariam em Lula, não em Alckmin?
Pessoas educadas, fluentes e letradas que votam em Lula? Não conheço. Acho que você está freqüentando demais os jornalistas da Folha de S.Paulo.
JPC - Qual a responsabilidade da oposição nesse clima favorável a Lula? Você acha que o "impeachment pelas urnas", que chegou a ser defendido por Fernando Henrique Cardoso, foi ingenuidade ou estupidez?
Fernando Henrique Cardoso não é ingênuo nem estúpido. Acho que os oposicionistas queriam tomar o lugar do Lula sem mexer nos esquemas de corrupção que os beneficiaram no passado e que podem beneficiá-los no futuro.
JPC - Ou seja, a oposição é tão corrupta como o presidente?
O lulismo é muito mais perverso: transformou a corrupção em plataforma de governo.
JPC - Alckmin: o que correu mal? Você teria votado noutro candidato sem ser de nariz tapado?
Eu não voto. Nem de nariz tapado. Desde o começo, defendi o "impeachment" de Lula. O julgamento do lulismo deveria ter sido político e criminal, e não apenas eleitoral.
JPC - Mas você confessou que iria votar Alckmin de nariz tapado. Nem assim foi votar?
Quando percebi o jogo da oposição, avisei que a tese do "impeachment pelo voto" abria a perspectiva de uma "absolvição pelo voto". Como sempre fui contrário a uma absolvição, torci pela eleição do Alckmin. Só não votei nele --e não voto em ninguém-- porque não tenho domicílio eleitoral.
JPC - Você é particularmente duro com o jornalismo brasileiro, que teria sido cúmplice de Lula. "O presidente manda. O jornalista publica. O contribuinte paga", eis o aforismo. Depois do mensalão e apesar da reeleição, você acha que mudou alguma coisa?
Agora o contribuinte sabe o que está pagando.
JPC - Um de seus melhores textos, "Minha Vida de Coiote", é o retrato de como perseguir Lula se transforma sempre num desastre para o perseguidor como na história do Coiote e do Papa-Léguas. Com todos os processos, ameaças e xingamentos, você nunca pensou simplesmente: "que se dane tudo"?
Como o Papa-Léguas, eu sempre acho que meu próximo plano vai dar certo.
JPC - Existe alguma coisa de positivo no Brasil para você? Ironicamente, lendo o seu livro, a coisa mais positiva é a Justiça, que o absolvia nos processos.
O que eu mais gosto no Brasil é minha casa. Fora da minha casa, minha rua, no máximo até a esquina. Institucionalmente, sim: a melhor chance do Brasil --quem sabe a única-- está nos tribunais.
JPC - Isso não é um paradoxo? Como explicar que tudo corra mal, exceto a Justiça?
Tenho de apelar para Montesquieu. Sabe como é: aquele lero-lero de separação dos poderes. Como todo o resto, a Justiça pode ser uma porcaria, mas as leis não são. Há um monte de bons juízes e promotores por aí, aplicando-as com rigor.
JPC - Por que motivo os petistas nunca acertam com o seu nome? É sempre "Diego", "Diego".
O petismo tem um problema com a língua portuguesa, Juan.
JPC - No final do livro, você se despede de Lula. Dessa vez é para valer?
Lula já não existe mais. Hoje em dia, todo mundo sabe que ele é apenas outro Sarney, só que piorado. Acho que dei uma mãozinha para desmascará-lo.
JPC - Imagine que o presidente convidava você para um chá ou para outra bebida qualquer. Você iria?
Já tentei entrevistá-lo. O bicho não quer saber de mim. Eu gostaria de encontrá-lo profissionalmente, mas não tenho o menor interesse particular por ele. Considero-o um dos líderes mais aborrecidos do planeta.
JPC - Abrindo um pouco mais a conversa: como você observa a política da América Latina --Chávez, Morales e tutti quanti?
Jura que você quer falar sobre essa gente?
JPC - Claro. O grotesco diverte-me.
Em excesso, o grotesco enjoa.
JPC - Apesar de tudo, seria improvável que Lula seguisse os passos da "revolução bolivariana" de Chávez, não?
Eu sempre reconheci uma qualidade em Lula: ele é maricas demais para se meter numa fria dessas.
JPC - E a sociedade brasileira não é a venezuelana, ou é?
Você tem razão: a venezuelana é um tiquinho melhor.
JPC - Você tem candidato favorito nas eleições americanas?
Meu preferido é John McCain. Os americanos têm o dever de ajeitar as coisas no Iraque, e o único que capaz de fazê-lo é o velhote.
JPC - Meu preferido é Obama, por causa do antiamericanismo mundial. Seria uma lição para o mundo eleger um negro.
Se eu fui demasiado otimista com o Brasil, você está sendo demasiado otimista com o mundo.
JPC - E o Brasil? Seria capaz de eleger um negro?
O Brasil seria capaz de eleger uma anta.
JPC - Mudando de assunto: você pensa em regressar à ficção?
E quem paga minhas contas?
JPC - Bom, você pode escrever colunas e romances.
Não dá tempo. Sou marcha lenta.
JPC - A sua ficção, ao retomar a grande tradição satirista européia, parece um corpo estranho na literatura brasileira contemporânea. Você sente isso?
Sinto que é bem melhor pertencer à grande (mas a pequena também serve) tradição satirista européia do que à literatura brasileira contemporânea.
JPC - Para um jovem brasileiro com pretensões literárias, que autores você recomendaria?
Leitura é uma questão de afinidade. Depois de esgotar os romances obrigatórios (Quantos são? 300? 400?), o negócio é escolher um filão e mergulhar nele.
JPC - Você é regularmente identificado com a "escola Paulo Francis". Você concorda com essa linhagem?
Fui um aluno relapso, mas é claro que estudei nessa escola.
JPC - E o que aprendeu com ela?
Como todo aluno relapso, não consegui aprender nada. Mas o professor era ótimo.
JPC - O Carnaval está aí: nunca o convidaram para uma escola de samba?
Não. Em compensação, algum tempo atrás, numa tarde de carnaval, pisei num naco de cérebro humano.
João Pereira Coutinho, 31, é colunista da Folha
Pra nao deixar o blog parado novamente, resolvi postar qualquer porcaria - a materia a seguir.
É daquelas clássicas "seria comico se nao fosse trágico", afinal o texto saiu na super folhona.
Joao Pereira Coutinho entrevista Diogo Mainardi:
Diogo, o Terrível
É um dos meus desportos favoritos: chegar ao Brasil e falar, em tom blasé, de Diogo Mainardi. "Você leu a coluna dele na Veja? Muito boa", digo eu. O meu interlocutor cai num silêncio sepulcral. As veias do pescoço vão inchando como em certos filmes de vampirismo. O sangue concentra-se todo na cabeça. Os olhos, vermelhos e irados, saem das órbitas. A boca espuma. Os queixos tremem. Alguns levam a mão ao braço esquerdo e pedem uma ambulância. Deus do céu, eu já perdi a conta dos infartos, ou das ameaças de infarto, que a minha perversidade provocou em São Paulo e no Rio. Diogo Mainardi não é um colunista. É uma assombração.
Curioso. Irônico. Paradoxal. As mesmas pessoas que desmaiam na minha frente com o nome de Mainardi não desmaiam com uma elite política corrupta que usa dinheiro público tradução: dinheiro dos brasileiros para suas negociatas. O mal não está em quem rouba. Está naqueles que denunciam o roubo. Em condições normais, um país estaria grato aos jornalistas que vigiam e criticam o poder. Mas o Brasil não é um país normal. Aliás, Portugal também não é e pressinto aqui uma cultura histórica comum: quando um colunista abre a boca para criticar o governo, ele não critica o governo. Ele é um demente, um invejoso, um fracassado. E, em caso de discórdia, os leitores, para não falar dos colegas de ofício, não estão dispostos a contra-argumentar. Mas a censurar. O ideal não é discutir. É silenciar. Na impossibilidade de fuzilar. Curiosas mentalidades.
Às vezes pergunto se vale a pena continuar. Como Diogo Mainardi pergunta em seu último livro, "Lula é Minha Anta" (Record, 240 págs.), relato da sua odisséia anti-lulista. No livro, conta Mainardi que dedicou cerca de 5 mil horas a Lula (antes do mensalão começar). Cinco mil. Uma vida. Uma barbaridade. E quando o colunista acredita que finalmente se libertou do presidente, o mensalão estoura e Lula, como nos filmes de Coppola, volta a arrastá-lo para a velha dança. Mais 5 mil horas. Mais dez. Mais quinze.
Eu não me perdoaria. Sério. Nas milhares de horas que Mainardi perdeu com Lula, teria sido possível ler todo o Balzac, todo o Flaubert. Mas também teria sido possível viajar. Dormir. Namorar. Vadiar. Milhares horas com Lula e o PT não inspiram indignação. Inspiram compaixão.
Compaixão e irrisão. Várias vezes disse a Diogo Mainardi que ele deveria regressar à ficção. Basta ler os quatro livros publicados até ao momento ("Malthus", "Arquipélago", "Polígono das Secas", "Contra o Brasil") para entender o lugar singular do autor na prosa brasileira contemporânea. Ao resgatar a tradição satírica européia para a língua lusa, Mainardi faz o que Millôr Fernandes e Ivan Lessa fizeram antes dele: limpa o pó à gramática e confere uma vitalidade ao texto que é mortal para denunciar o ridículo da condição humana. Mas a resposta dele é sempre a mesma: "E quem paga as minhas contas?" Na conversa que tivemos, e que reproduzo em baixo, a pergunta é repetida. A resposta também.
Erro meu. "Lula é Minha Anta" não é apenas o resumo da batalha hilária de Diogo Mainardi para derrubar Lula. É também o retrato político de um país que ganha contornos grotescos, muito acima de qualquer ficção: na política, no jornalismo, no mundo empresarial; e nas relações promíscuas e até mafiosas que se instalam entre esses vários mundos. E, quando assim é, não existe grande espaço para prosa imaginativa. Seria inútil. Redundante. Em Inglaterra, onde a vida é previsível e civilizada (ou previsível porque civilizada), o "non sense" transferiu-se da vida para a literatura. De Jonathan Swift a Laurence Sterne, de Evelyn Waugh e Kingsley Amis, a sátira é abundante porque funciona como contraste. Mas quando a realidade já é surreal, é a realidade que se transforma em ficção. Quem precisa de livros quando basta olhar pela janela?
Mainardi olhou pela janela. Descreveu a paisagem. Mas falhou no essencial: em 2007, Lula era reeleito, ou seja, "absolvido pelas urnas", como dizem seus acólitos. Num dos melhores textos do livro, Mainardi compara-se ao Coiote do desenho animado, que persegue obsessivamente o Papa-Léguas para ser derrotado no final. Uma pena? Para o Brasil, com certeza. Para os leitores, longe disso. "Lula é Minha Anta" ficará como testemunho de uma época e exercício literário pleno de violência sarcástica. E, além disso, ninguém assiste ao desenho animado para ver o Papa-Léguas.
JPC - Olá, Diogo. Como é que você está?
Estou de bermuda e chinelo, como sempre. Na minha frente, o computador. À direita, pela janela, a praia de Ipanema. Choveu muito: mar marrom e areia cheia de protozoários. Na sala, meu caçula está com a TV ligada, assistindo a um episódio de "Little Einsteins". De vez em quando, influenciado pelo desenho, ele ergue os braços e grita: Johann Sebastian Bach! Felix Mendelssohn!
JPC - Nunca assisti a esse desenho. A minha infância foi deliciosamente corrompida pelo Walt Disney.
A minha foi miseravelmente corrompida pelo Pepe Legal.
JPC - Que memórias você tem da infância? Nada de clichês, e pode falar das empregadas.
Tive uma infância clichê. Inclusive no que se refere às empregadas.
JPC - Falando do Brasil: você já está a preparar o seu exílio na Europa?
Dependo do trabalho, e o trabalho, atualmente, está no Brasil. Já fui um imigrante brasileiro na Europa. Agora sou um retirante paraibano no Rio de Janeiro.
JPC - Isso significa que se surgir trabalho na Europa você abandona o país na hora?
Retirante só migra em período de seca.
JPC - Mas você sabe que a Europa é o último sítio do mundo, depois de Bagdá, para trabalhar.
É por isso que eu relaciono a Europa com o ócio. Ou com a literatura, que é a expressão envergonhada do ócio.
JPC - Antes de qualquer pergunta sobre o seu livro, gostei de ver nele as fotos dos seus filhos brincando com um pelúcia do Lula. Em São Paulo, um amigo mostrou-me o mesmo boneco e disse-me que tinha sido criado por um artista plástico. Ainda tentei comprar um, mas não consegui. Você sabe onde eu posso encontrar esse boneco?
Vou ver se arrumo um boneco extra.
JPC - Obrigado. Você não acha que o boneco tem uma graciosidade que falta ao presidente?
Pouco tempo atrás, acordei no meio da noite e flagrei o boneco roubando minha carteira e tentando matar o peixe no aquário.
JPC - E o que você fez? Não me diga que pediu impeachment...
Tranquei o boneco no armário da cozinha.
JPC - As crônicas de "Lula é Minha Anta" são, em resumo, a história de uma batalha: Mainardi contra Lula e Lula vitorioso, no final, com a reeleição. Você não acha que teria sido preferível ler Flaubert ou Tolstói nesse tempo todo?
No livro, sou personagem, e não autor ou leitor. Como Bouvard e Pécuchet, perdi a lavoura. Como Anna Karenina, fui esmagado por um trem.
JPC - A partir do momento em que o "mensalão" foi denunciado por Roberto Jefferson, você apostou tudo em como Lula não seria reeleito. Você não acha que foi demasiado otimista com o seu país?
Tem razão: por um breve período, fui pateticamente otimista com o Brasil. O mensalão, por suas particularidades, ofereceu uma oportunidade histórica para o país, exatamente como "mãos limpas", na Itália. Como de costume, a gente bobeou.
JPC - Você não acha que a corrupção, para os brasileiros, não é tão grave como seria para os europeus?
Corrupção é fruto de falta de democracia. Quanto mais avançada é uma democracia, menor o risco de corrupção. Uma imprensa independente ajuda a vigiar a classe política. Um judiciário independente também. Até a arte tem um papel no combate à corrupção. Ela oferece à sociedade ferramentas como iconoclastia, humor, visão crítica, senso estético, senso de proporção, agitação intelectual, inquietude existencial tudo isso aumenta nossa desconfiança e nossa insatisfação em relação às pessoas em geral e aos políticos em particular.
JPC - Então o problema central talvez não seja Lula, mas o Brasil.
Exatamente. Lula --o meu Lula-- é metafórico. Talvez até metonímico. Ele representa o que o país tem de pior.
JPC - Eu estive no Brasil em dois momentos marcantes dos últimos anos: quando o mensalão estava no auge e nas últimas eleições. E fiquei pasmo com pessoas educadas, fluentes e letradas que diziam que votariam em Lula, não em Alckmin?
Pessoas educadas, fluentes e letradas que votam em Lula? Não conheço. Acho que você está freqüentando demais os jornalistas da Folha de S.Paulo.
JPC - Qual a responsabilidade da oposição nesse clima favorável a Lula? Você acha que o "impeachment pelas urnas", que chegou a ser defendido por Fernando Henrique Cardoso, foi ingenuidade ou estupidez?
Fernando Henrique Cardoso não é ingênuo nem estúpido. Acho que os oposicionistas queriam tomar o lugar do Lula sem mexer nos esquemas de corrupção que os beneficiaram no passado e que podem beneficiá-los no futuro.
JPC - Ou seja, a oposição é tão corrupta como o presidente?
O lulismo é muito mais perverso: transformou a corrupção em plataforma de governo.
JPC - Alckmin: o que correu mal? Você teria votado noutro candidato sem ser de nariz tapado?
Eu não voto. Nem de nariz tapado. Desde o começo, defendi o "impeachment" de Lula. O julgamento do lulismo deveria ter sido político e criminal, e não apenas eleitoral.
JPC - Mas você confessou que iria votar Alckmin de nariz tapado. Nem assim foi votar?
Quando percebi o jogo da oposição, avisei que a tese do "impeachment pelo voto" abria a perspectiva de uma "absolvição pelo voto". Como sempre fui contrário a uma absolvição, torci pela eleição do Alckmin. Só não votei nele --e não voto em ninguém-- porque não tenho domicílio eleitoral.
JPC - Você é particularmente duro com o jornalismo brasileiro, que teria sido cúmplice de Lula. "O presidente manda. O jornalista publica. O contribuinte paga", eis o aforismo. Depois do mensalão e apesar da reeleição, você acha que mudou alguma coisa?
Agora o contribuinte sabe o que está pagando.
JPC - Um de seus melhores textos, "Minha Vida de Coiote", é o retrato de como perseguir Lula se transforma sempre num desastre para o perseguidor como na história do Coiote e do Papa-Léguas. Com todos os processos, ameaças e xingamentos, você nunca pensou simplesmente: "que se dane tudo"?
Como o Papa-Léguas, eu sempre acho que meu próximo plano vai dar certo.
JPC - Existe alguma coisa de positivo no Brasil para você? Ironicamente, lendo o seu livro, a coisa mais positiva é a Justiça, que o absolvia nos processos.
O que eu mais gosto no Brasil é minha casa. Fora da minha casa, minha rua, no máximo até a esquina. Institucionalmente, sim: a melhor chance do Brasil --quem sabe a única-- está nos tribunais.
JPC - Isso não é um paradoxo? Como explicar que tudo corra mal, exceto a Justiça?
Tenho de apelar para Montesquieu. Sabe como é: aquele lero-lero de separação dos poderes. Como todo o resto, a Justiça pode ser uma porcaria, mas as leis não são. Há um monte de bons juízes e promotores por aí, aplicando-as com rigor.
JPC - Por que motivo os petistas nunca acertam com o seu nome? É sempre "Diego", "Diego".
O petismo tem um problema com a língua portuguesa, Juan.
JPC - No final do livro, você se despede de Lula. Dessa vez é para valer?
Lula já não existe mais. Hoje em dia, todo mundo sabe que ele é apenas outro Sarney, só que piorado. Acho que dei uma mãozinha para desmascará-lo.
JPC - Imagine que o presidente convidava você para um chá ou para outra bebida qualquer. Você iria?
Já tentei entrevistá-lo. O bicho não quer saber de mim. Eu gostaria de encontrá-lo profissionalmente, mas não tenho o menor interesse particular por ele. Considero-o um dos líderes mais aborrecidos do planeta.
JPC - Abrindo um pouco mais a conversa: como você observa a política da América Latina --Chávez, Morales e tutti quanti?
Jura que você quer falar sobre essa gente?
JPC - Claro. O grotesco diverte-me.
Em excesso, o grotesco enjoa.
JPC - Apesar de tudo, seria improvável que Lula seguisse os passos da "revolução bolivariana" de Chávez, não?
Eu sempre reconheci uma qualidade em Lula: ele é maricas demais para se meter numa fria dessas.
JPC - E a sociedade brasileira não é a venezuelana, ou é?
Você tem razão: a venezuelana é um tiquinho melhor.
JPC - Você tem candidato favorito nas eleições americanas?
Meu preferido é John McCain. Os americanos têm o dever de ajeitar as coisas no Iraque, e o único que capaz de fazê-lo é o velhote.
JPC - Meu preferido é Obama, por causa do antiamericanismo mundial. Seria uma lição para o mundo eleger um negro.
Se eu fui demasiado otimista com o Brasil, você está sendo demasiado otimista com o mundo.
JPC - E o Brasil? Seria capaz de eleger um negro?
O Brasil seria capaz de eleger uma anta.
JPC - Mudando de assunto: você pensa em regressar à ficção?
E quem paga minhas contas?
JPC - Bom, você pode escrever colunas e romances.
Não dá tempo. Sou marcha lenta.
JPC - A sua ficção, ao retomar a grande tradição satirista européia, parece um corpo estranho na literatura brasileira contemporânea. Você sente isso?
Sinto que é bem melhor pertencer à grande (mas a pequena também serve) tradição satirista européia do que à literatura brasileira contemporânea.
JPC - Para um jovem brasileiro com pretensões literárias, que autores você recomendaria?
Leitura é uma questão de afinidade. Depois de esgotar os romances obrigatórios (Quantos são? 300? 400?), o negócio é escolher um filão e mergulhar nele.
JPC - Você é regularmente identificado com a "escola Paulo Francis". Você concorda com essa linhagem?
Fui um aluno relapso, mas é claro que estudei nessa escola.
JPC - E o que aprendeu com ela?
Como todo aluno relapso, não consegui aprender nada. Mas o professor era ótimo.
JPC - O Carnaval está aí: nunca o convidaram para uma escola de samba?
Não. Em compensação, algum tempo atrás, numa tarde de carnaval, pisei num naco de cérebro humano.
João Pereira Coutinho, 31, é colunista da Folha
domingo, 27 de janeiro de 2008
UTOPIA
Ela está no horizonte - diz Fernando Birri. - Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos.
Por mais que eu caminhe, jamais a alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para caminhar.
Por mais que eu caminhe, jamais a alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para caminhar.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Alex Polari
O anarquista que há em mim se junta com o ingênuo que há em você e propõe: "Vamos fazer uma República utópica?".
O princípio da realidade passa com a sirene aberta, pára e nos autua em flagrante.
O princípio da realidade passa com a sirene aberta, pára e nos autua em flagrante.
mais uma de Clarice
Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completo quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples estado de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma bênção estranha, como ter loucura sem ser doido.
É um desinteresse manso, uma doçura de burrice.
Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais, mas pelo menos entender que não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples estado de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma bênção estranha, como ter loucura sem ser doido.
É um desinteresse manso, uma doçura de burrice.
Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais, mas pelo menos entender que não entendo.
Fim de namoro pode dar em suicídio!
Sei que é um pouco humor negro, mas dei boas risadas!
“Maria Eduarda e Henrique estão juntos há dois anos. Ela não o agüenta mais, mas não tem coragem de desmanchar o namoro. Naquela tarde, Henrique diz a ela que precisam conversar. Ele gosta muito dela, mas está em crise, precisa ficar sozinho e quer terminar o namoro. Ela se esforça para não parecer feliz demais com a idéia, diz que tudo bem, eles podem continuar amigos. E vai para casa comemorar a liberdade com morangos e creme de leite.
A lata de creme de leite semi-aberta escorrega no balcão da pia e a tampa de metal faz um corte profundo no pulso de Maria Eduarda. O creme de leite e o sangue se misturam no chão da cozinha. Maria Eduarda tenta limpar a sujeira enquanto improvisa um torniquete com um pano de prato. O sangue jorra de seu pulso. Maria Eduarda sai de casa e caminha apressadamente até o pronto-socorro, felizmente a poucos metros de casa.
A mãe de Maria Eduarda a encontra no saguão do pronto-socorro. Está tudo bem, só levou alguns pontos, está um pouco tonta porque perdeu sangue. Mostra o pulso enfaixado e explica o que houve, fala da lata de creme de leite. A Mãe pergunta onde está o Henrique. Maria Eduarda diz que acha que ele está na casa dele. Percorrem o caminho de casa em silêncio.
O pai de Maria Eduarda senta ao seu lado, na cama. Pergunta se ela quer mais suco. Ela não quer. Pergunta se ela quer conversar com ele sobre o que aconteceu. Ela diz que já contou tudo que havia para contar. Se ela quiser conversar, é só chamar. Claro, ela diz.
Todos os colegas perguntam o que houve. Ela conta da lata de creme de leite. A Crica não parece acreditar muito na história. E pergunta se é verdade que o Henrique terminou com ela. Ela diz que sim. E todos ficam em silêncio.
A professora chama Maria Eduarda para conversar, depois da aula. Pergunta se ela está bem. Ela diz que está ótima, não foi nada. A professora sugere a ela que converse com a professora Cíntia, do SOE. Maria Eduarda pergunta para quê? Só para conversar, diz a professora.
A professora Cíntia é muito amável, simpática, oferece uma coca diet. Maria Eduarda diz não, obrigada. A professora Cíntia começa a falar sobre a adolescência, sobre o futuro. Diz que a vida de Maria Eduarda está apenas começando, que ela ainda vai conhecer muitos lugares e muitas pessoas diferentes e interessantes. E que na adolescência a gente é sempre muito dramática. Ela, pelo menos, era. Conta que uma vez quebrou todos os vidros do quarto numa briga com a mãe por causa de um namorado e que a mãe teve que chamar um vidraceiro e o vidraceiro era um gato e ela esqueceu do namorado, não lembra mais nem o nome. Mas lembra do nome do vidraceiro. Maria Eduarda acha engraçada a história e pergunta se pode ir para casa. A professora diz que sim, e que se ela quiser conversar é só chamar.
Maria Eduarda chega em casa e Henrique está lá, com a mãe dele, na sala. Maria Eduarda diz oi, o que você está fazendo aqui? Henrique diz que passou só para visitar, que queria saber se ela estava bem. Ela diz que está ótima e sobe para o quarto.
Maria Eduarda acorda no meio da noite, com a tevê ligada. Levanta e desliga. O pulso lateja e ela tem muita sede. Maria Eduarda vai até a cozinha. Pega uma caixa de suco na geladeira. Abre a gaveta com cuidado para não fazer barulho e pega uma faca para abrir a caixa de suco. Não faça isso!, grita sua mãe, na porta da cozinha. Maria Eduarda leva um susto e deixar cair a caixa de suco. A mãe corre e a abraça, chorando. Minha filhinha, nós amamos você tanto, ela diz. Maria Eduarda diz, eu sei mãe, eu só queria tomar um suco. E a mãe diz, vai deitar, minha filha, eu levo para você.
Maria Eduarda entra na sala de aula e todos param de falar. Ela olha para Crica, que desvia o olhar. Maria Eduarda senta. A professora ainda não chegou. Crica se aproxima e pergunta se ela sabe que o Henrique está namorando a Rita Meneghetti, do 202. Se ela não sabe é melhor saber logo, que ela só está contando porque é amiga, antes que ela faça mais uma loucura.
Maria Eduarda se vira para Crica e diz bem alto, para que a sala inteira escute, que todos estão pirados, que não fez loucura nenhuma, que eles todos é que estão loucos em pensar que ela tentaria se matar por causa do Henrique, que ela já queria terminar o namoro há muito tempo, que o Henrique é um idiota cheio de espinhas, que fala “menas” e escreve “atrazado” com “z” e tem um pau deste tamanhinho assim. Ela ergue uma borracha verde, de aproximadamente seis centímetros, para ilustrar o tamanho do pau de Henrique.
Ontem, Henrique cortou os dois pulsos.”
(Jorge Furtado)
“Maria Eduarda e Henrique estão juntos há dois anos. Ela não o agüenta mais, mas não tem coragem de desmanchar o namoro. Naquela tarde, Henrique diz a ela que precisam conversar. Ele gosta muito dela, mas está em crise, precisa ficar sozinho e quer terminar o namoro. Ela se esforça para não parecer feliz demais com a idéia, diz que tudo bem, eles podem continuar amigos. E vai para casa comemorar a liberdade com morangos e creme de leite.
A lata de creme de leite semi-aberta escorrega no balcão da pia e a tampa de metal faz um corte profundo no pulso de Maria Eduarda. O creme de leite e o sangue se misturam no chão da cozinha. Maria Eduarda tenta limpar a sujeira enquanto improvisa um torniquete com um pano de prato. O sangue jorra de seu pulso. Maria Eduarda sai de casa e caminha apressadamente até o pronto-socorro, felizmente a poucos metros de casa.
A mãe de Maria Eduarda a encontra no saguão do pronto-socorro. Está tudo bem, só levou alguns pontos, está um pouco tonta porque perdeu sangue. Mostra o pulso enfaixado e explica o que houve, fala da lata de creme de leite. A Mãe pergunta onde está o Henrique. Maria Eduarda diz que acha que ele está na casa dele. Percorrem o caminho de casa em silêncio.
O pai de Maria Eduarda senta ao seu lado, na cama. Pergunta se ela quer mais suco. Ela não quer. Pergunta se ela quer conversar com ele sobre o que aconteceu. Ela diz que já contou tudo que havia para contar. Se ela quiser conversar, é só chamar. Claro, ela diz.
Todos os colegas perguntam o que houve. Ela conta da lata de creme de leite. A Crica não parece acreditar muito na história. E pergunta se é verdade que o Henrique terminou com ela. Ela diz que sim. E todos ficam em silêncio.
A professora chama Maria Eduarda para conversar, depois da aula. Pergunta se ela está bem. Ela diz que está ótima, não foi nada. A professora sugere a ela que converse com a professora Cíntia, do SOE. Maria Eduarda pergunta para quê? Só para conversar, diz a professora.
A professora Cíntia é muito amável, simpática, oferece uma coca diet. Maria Eduarda diz não, obrigada. A professora Cíntia começa a falar sobre a adolescência, sobre o futuro. Diz que a vida de Maria Eduarda está apenas começando, que ela ainda vai conhecer muitos lugares e muitas pessoas diferentes e interessantes. E que na adolescência a gente é sempre muito dramática. Ela, pelo menos, era. Conta que uma vez quebrou todos os vidros do quarto numa briga com a mãe por causa de um namorado e que a mãe teve que chamar um vidraceiro e o vidraceiro era um gato e ela esqueceu do namorado, não lembra mais nem o nome. Mas lembra do nome do vidraceiro. Maria Eduarda acha engraçada a história e pergunta se pode ir para casa. A professora diz que sim, e que se ela quiser conversar é só chamar.
Maria Eduarda chega em casa e Henrique está lá, com a mãe dele, na sala. Maria Eduarda diz oi, o que você está fazendo aqui? Henrique diz que passou só para visitar, que queria saber se ela estava bem. Ela diz que está ótima e sobe para o quarto.
Maria Eduarda acorda no meio da noite, com a tevê ligada. Levanta e desliga. O pulso lateja e ela tem muita sede. Maria Eduarda vai até a cozinha. Pega uma caixa de suco na geladeira. Abre a gaveta com cuidado para não fazer barulho e pega uma faca para abrir a caixa de suco. Não faça isso!, grita sua mãe, na porta da cozinha. Maria Eduarda leva um susto e deixar cair a caixa de suco. A mãe corre e a abraça, chorando. Minha filhinha, nós amamos você tanto, ela diz. Maria Eduarda diz, eu sei mãe, eu só queria tomar um suco. E a mãe diz, vai deitar, minha filha, eu levo para você.
Maria Eduarda entra na sala de aula e todos param de falar. Ela olha para Crica, que desvia o olhar. Maria Eduarda senta. A professora ainda não chegou. Crica se aproxima e pergunta se ela sabe que o Henrique está namorando a Rita Meneghetti, do 202. Se ela não sabe é melhor saber logo, que ela só está contando porque é amiga, antes que ela faça mais uma loucura.
Maria Eduarda se vira para Crica e diz bem alto, para que a sala inteira escute, que todos estão pirados, que não fez loucura nenhuma, que eles todos é que estão loucos em pensar que ela tentaria se matar por causa do Henrique, que ela já queria terminar o namoro há muito tempo, que o Henrique é um idiota cheio de espinhas, que fala “menas” e escreve “atrazado” com “z” e tem um pau deste tamanhinho assim. Ela ergue uma borracha verde, de aproximadamente seis centímetros, para ilustrar o tamanho do pau de Henrique.
Ontem, Henrique cortou os dois pulsos.”
(Jorge Furtado)
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Vida de Músico
Estive recentemente em um restaurante, desses em que você paga um couver artístico, pois tem alguém tocando algum instrumento enquanto você come.
Neste caso, tratava-se de um restaurante que fica no interior de um shopping, e também neste caso, tratava-se de um músico, tocando seu violão e cantando nobres sucessos da nossa MPB.
Segundo meus rasos conhecimentos musicais, ele tocava e cantava muito bem.
Bom, o interessante disso tudo foi que pude observar algumas situações interessantes acerca deste músico, que me fez pensar na dura vida de quem insiste em ter a arte como meio de vida. Acho isso muito nobre e até os admiro muito por isso.
Como cheguei um pouco tarde neste restaurante, por alguma razão, pude ver com atenção o final da apresentação deste rapaz. A propósito, era um rapaz que aparentava uma idade entre os 27 e 28 anos talvez.
Ele se despediu muito sutilmente entre a penúltima e a última música e ao final desta, que salvo engano era uma do Cláudio Zoli, desligou os equipamentos, desplugou o cabo do violão e tomou um longo gole de uma garrafinha d´agua.
Sem nenhuma ajuda, acomodou seu violão com muito cuidado em um case, e fez o mesmo com sua pequena mesa de som. Depois foi levá-los até os fundos do restaurante, em um lugar onde não pude ver.
Em seguida retirou muito arduamente uma grande e aparentemente pesada caixa de som que estava sobre um pedestal bem maior que ele.
Com todo cuidado enrolou a caixa em um plástico preto e a levou nos braços para o fundo do restaurante.
Ao retornar, foi até a mocinha do caixa, assinou algo que parecia ser uma planilha de freqüência e pegou muito sutilmente uma quantia em dinheiro. Não pude ver exatamente o valor, embora tenha visto uma nota de cem reais que estava por cima.
Colocou as notas no bolso de trás da calça sem conferir e voltou a guardar seus equipamentos.
Neste caso, tratava-se de um restaurante que fica no interior de um shopping, e também neste caso, tratava-se de um músico, tocando seu violão e cantando nobres sucessos da nossa MPB.
Segundo meus rasos conhecimentos musicais, ele tocava e cantava muito bem.
Bom, o interessante disso tudo foi que pude observar algumas situações interessantes acerca deste músico, que me fez pensar na dura vida de quem insiste em ter a arte como meio de vida. Acho isso muito nobre e até os admiro muito por isso.
Como cheguei um pouco tarde neste restaurante, por alguma razão, pude ver com atenção o final da apresentação deste rapaz. A propósito, era um rapaz que aparentava uma idade entre os 27 e 28 anos talvez.
Ele se despediu muito sutilmente entre a penúltima e a última música e ao final desta, que salvo engano era uma do Cláudio Zoli, desligou os equipamentos, desplugou o cabo do violão e tomou um longo gole de uma garrafinha d´agua.
Sem nenhuma ajuda, acomodou seu violão com muito cuidado em um case, e fez o mesmo com sua pequena mesa de som. Depois foi levá-los até os fundos do restaurante, em um lugar onde não pude ver.
Em seguida retirou muito arduamente uma grande e aparentemente pesada caixa de som que estava sobre um pedestal bem maior que ele.
Com todo cuidado enrolou a caixa em um plástico preto e a levou nos braços para o fundo do restaurante.
Ao retornar, foi até a mocinha do caixa, assinou algo que parecia ser uma planilha de freqüência e pegou muito sutilmente uma quantia em dinheiro. Não pude ver exatamente o valor, embora tenha visto uma nota de cem reais que estava por cima.
Colocou as notas no bolso de trás da calça sem conferir e voltou a guardar seus equipamentos.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Quanto tempo vai levar...
para algum maluco lixo postar alguma coisa com conteúdo nesse blog???
Olhem as últimas postagens!!!!
Convenhamos....ultimamente tá foda!
Olhem as últimas postagens!!!!
Convenhamos....ultimamente tá foda!
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Razão
Olá, amigos da UG!
Encontrei um antigo blog meu que eu perdi a senha faz tempo.
Achei uns textos até que legalzinhos no meio de muitas torbices... Alguns até me deu saudade da pessoa que eu era.
Se quiserem, deêm uma olhadinha lá: http://semprepaula.blogspot.com/
Gostei um pouquinho desse texto:
Razão
"Cada medo sem sentido, cada coisa sem razão, cada sono que persegue, é razão.Cada caco de vidro, cada memória traiçoeira, cada raiz quadrada em regras de pontuação, cada sentimento lépido e griz de melancolia profunda, cada certeza de nada, cada razão sem razão. É razão?Ou são razões?Cada amor, cada paixão platônica, cada machucado na unha, cada estrela cor de amora no céu, cada som de automóvel sem farol, cada sentimento de culpa por existir, é razão.Cada razão sem razão, é razão. Cada gato preto e sem pé, cada pé sem gato preto sem gato, cada alucinação de moscas, cada matéria e cada espírito de porco, cada sangue e cada rosário, cada religioso e cada ateu, cada música e cada baixaria, cada poeta ébrio na esquina de cada lado de cada quarteirão de cada planeta com e sem vida. Cada mente sã e sem razão é razão sem razão.A própria razão é razão sem razão.Cada fantasia fora do lugar, cada pessoa fora do lugar, cada mente fora do lugar.Uma garota pífia fora do lugar, e várias letras fora do lugar, e tanta inspiração sem inspiração clamando pela razão sem razão.E cada corte com sangues invisíveis, e tantos anjos bigorrilhas voando em terra de maléficos, cada sonho onírico e cada sonho utópico sem órbita nem direção laçada em pensamentos. E tudo espaça em forma de razão sem sentido algum e obviedades já traumatizada precisando robustecer-se.Cada cheiro de suores de flores queimadas por álcool de cerveja cintilante. Em cada saco sem fundo e momentos sem movimentos. Cada membro amputado por cada deputado dilacerado por razões sem razão.Cada razão benévola, cada razão neutra, cada razão sobrenatural, cada razão maltrapilha, cada razão poluída, cada razão pornográfica, cada razão cristalina, cada razão escura e retinta, cada razão dadaísta, cada razão segura, cada razão tímida mas travessa, cada razão colorida e cada razão branca e preta, cada razão imparcial.Razões imorais e razões amorais: A razão é a palavra da razão.Em cada labirinto manchado por vômitos e franzidas por poemas de poetas mortos e heróis inexistentes. Em cada alguém de cada ninguém. Sempre na razão de quem não tem, se ninguém tem.Cada razão perpétua....A razão não tem razão, só razão".
(Paula Cicolin, Janeiro de 2006)
Um abraço!
Encontrei um antigo blog meu que eu perdi a senha faz tempo.
Achei uns textos até que legalzinhos no meio de muitas torbices... Alguns até me deu saudade da pessoa que eu era.
Se quiserem, deêm uma olhadinha lá: http://semprepaula.blogspot.com/
Gostei um pouquinho desse texto:
Razão
"Cada medo sem sentido, cada coisa sem razão, cada sono que persegue, é razão.Cada caco de vidro, cada memória traiçoeira, cada raiz quadrada em regras de pontuação, cada sentimento lépido e griz de melancolia profunda, cada certeza de nada, cada razão sem razão. É razão?Ou são razões?Cada amor, cada paixão platônica, cada machucado na unha, cada estrela cor de amora no céu, cada som de automóvel sem farol, cada sentimento de culpa por existir, é razão.Cada razão sem razão, é razão. Cada gato preto e sem pé, cada pé sem gato preto sem gato, cada alucinação de moscas, cada matéria e cada espírito de porco, cada sangue e cada rosário, cada religioso e cada ateu, cada música e cada baixaria, cada poeta ébrio na esquina de cada lado de cada quarteirão de cada planeta com e sem vida. Cada mente sã e sem razão é razão sem razão.A própria razão é razão sem razão.Cada fantasia fora do lugar, cada pessoa fora do lugar, cada mente fora do lugar.Uma garota pífia fora do lugar, e várias letras fora do lugar, e tanta inspiração sem inspiração clamando pela razão sem razão.E cada corte com sangues invisíveis, e tantos anjos bigorrilhas voando em terra de maléficos, cada sonho onírico e cada sonho utópico sem órbita nem direção laçada em pensamentos. E tudo espaça em forma de razão sem sentido algum e obviedades já traumatizada precisando robustecer-se.Cada cheiro de suores de flores queimadas por álcool de cerveja cintilante. Em cada saco sem fundo e momentos sem movimentos. Cada membro amputado por cada deputado dilacerado por razões sem razão.Cada razão benévola, cada razão neutra, cada razão sobrenatural, cada razão maltrapilha, cada razão poluída, cada razão pornográfica, cada razão cristalina, cada razão escura e retinta, cada razão dadaísta, cada razão segura, cada razão tímida mas travessa, cada razão colorida e cada razão branca e preta, cada razão imparcial.Razões imorais e razões amorais: A razão é a palavra da razão.Em cada labirinto manchado por vômitos e franzidas por poemas de poetas mortos e heróis inexistentes. Em cada alguém de cada ninguém. Sempre na razão de quem não tem, se ninguém tem.Cada razão perpétua....A razão não tem razão, só razão".
(Paula Cicolin, Janeiro de 2006)
Um abraço!
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